Vontade de Trabalhar

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

Poliana e Ana Paula

Poliana e Ana Paula

A Poliana sempre gostou de trabalhar. Fosse cozinhando, arrumando a casa, ou mesmo ajudando no quintal, estava sempre alegre por sentir-se útil, fazendo algo em conjunto.

Numa das vezes em que foi cortar o cabelo com a mãe, não resistiu à vassoura parada no canto do salão e começou a juntar os cabelos que caíam pelo chão.

O cabelereiro elogiou bastante sua atitude, e perguntou-lhe se gostaria de trabalhar ali com ele, cuidando do salão.

Com toda a inocência de uma driança, ela respondeu que sim, e ficou pensando no assunto.

Chegou em casa eufórica e, quando me contou, completou com uma pergunta e os olhos cheios de esperança:

-- Pai, você acha que ele vai me contratar mesmo?

Seu tom de sinceridade, a confiança de que eu lhe diria a verdade e a pureza daquele olhar, até hoje me levam a acreditar que temos verdadeiros anjos entre nós.

Expliquei-lhe que pela pouca idade ela ainda não poderia trabalhar, que havia leis que protegiam as crianças no tocante a isso, e falei-lhe da dificuldade de algumas delas que são obrigadas a realizar o trabalho infantil.

A princípio, ficou um pouco decepcionada, mas após pensar nas crianças que não tinham essa escolha, compreendeu que aproveitar sua infância era a melhor coisa a fazer no momento.

E assim seguia nossa Poliana, com suas observações e experiências, aprendendo sobre a dura realidade da vida...

Diário de Poliana, 13.04.2008:

"Hoje foi um dia muito legal porque foi um dia de igreja que meu pai ensinou a gente a cantar uma música.

Aí a gente vai cantar essa música lá na frente. Eu estou com muita vergonha de ir lá na frente.

Depois a gente voltou pra casa."


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