Violência Doméstica
24 de janeiro de 2011, por Charlles Nunes

A violência doméstica é uma realidade difícil de encarar, mas sua negação não diminui a extensão nem a gravidade do problema. Ao compreendermos suas raízes, veremos que continua sendo um desafio de todos nós.

O tema da violência doméstica abrange tanto a violência contra o cônjuge quanto aquela direcionada aos filhos indefesos. Nesse artigo, gostaria de abordar o que contribui para a longevidade dessa prática repugnante, e o que podemos fazer para descontinuá-la.

Tomo algumas idéias emprestadas de Tony Porter - um ativista em prol do fim da violência contra a mulher. (No final do artigo, você encontrará um vídeo dele.)

Enquanto pensava sobre o assunto, fiz uma retrospectiva mental buscando referências em minha vida que fortalecessem a idéia distorcida de que o sexo masculino tem mais valor do que o feminino.

Para minha surpresa – e tristeza – encontrei diversas delas, tanto na família quanto na escola e no trabalho. Algumas explícitas, outras dissimuladas ou mesmo disfarçadas sob bandeiras tão diversas quanto a da honra e do orgulho.

Meninos são meninos. Meninas são meninas. Essas se tornam mulheres. Aqueles se tornam homens. Embora os papéis que a vida adulta lhes reserve sejam distintos, ambos precisam encontrar a liberdade que os permita desenvolver seu pleno potencial.

Quem propaga o conceito de que ‘mulherzinha’ é um xingamento, e que ‘homenzinho’ é sinônimo de maturidade, quem incentiva o menino a fazer xixi na calçada enquanto coíbe as meninas, promove a desigualdade entre os sexos.

Quem vive repetindo aos garotos que “homem que é homem não chora”, priva os meninos de uma oportunidade de aprendizado sobre suas próprias emoções. As lágrimas poderão representar uma sala de aula que o garoto nunca freqüentou. Sem nunca ter chorado, como poderá compreender a dor alheia?

Quem verbaliza frases como ‘menina não brinca de carrinho’, ensina às garotas que não lhe cabe o direito de dirigir.

Essas idéias tão difundidas em nossa cultura podem - vagarosamente - criar a idéia errônea de que o gênero feminino tem menos valor, o que por sua vez constitui um dos pilares da violência contra a mulher.

O vídeo a seguir trata do tema com maestria. Fazendo um 'chamado aos homens', seu autor conta experiências tocantes sobre sua própria formação como homem e de como estava repetindo os mesmos erros na criação de seu filho.

Vale à pena assistir e acompanhar o texto em inglês ou português. Se a sua experiência for como a minha, você terá bons motivos para rever seus conceitos...



Um Chamado aos Homens, por Tony Porter

Fui criado em Nova York, entre o Harley e o Bronx.

Como meninos, fomos ensinados que os homens tinham que ser durões, fortes, corajosos, dominadores, sem dor, sem emoções, com exceção da raiva - e, definitivamente, sem medo - que os homens estão no comando, o que significa que as mulheres não estão, que os homens lideram enquanto as mulheres devem apenas seguir e fazer o que dissermos, que os homens são superiores, as mulheres inferiores, que os homens são fortes, as mulheres, fracas, que as mulheres são de menor valor - - propriedade dos homens - e principalmente, objetos sexuais.

Mais tarde conheci uma representação da socialização coletiva dos homens, algo que podemos chamar de ‘caixa da masculinidade’. Nela estão contidos os conceitos que definem o que significa ser um homem.

Também quero dizer, sem dúvida, que existem coisas maravilhosas, maravilhosas, absolutamente maravilhosas em ser um homem.

Mas ao mesmo tempo, há algumas coisas completamente distorcidas a respeito. E precisamos começar a desafiar, a olhar o caso e nos envolver no processo de demolição, redefinição, do que significa a verdadeira masculinidade.

Estes são meus dois filhos, Kendall e Jay. Elestêm 11 e 12 anos. O Kenday é 15 meses mais velho do que a Jay. Houve uma época em que minha esposa e eu – o nome dela é Tammie – estivemos bem ocupados e de repente, pá, pum: Kenday e Jay.

Risos.

Quando eles tinham cerca de cinco e seis, ou quatro e cinco anos, a Jay podia vir a mim, vir a mim chorando. Não importava o motivo, ela poderia sentar-se no meu colo, dobrar a manga da minha camisa e chorar, chorar à vontade. O papai está aqui com você. Isso é o que importa.

Por outro lado, ,o Kendall – e como eu disse, ele só tem 15 meses a mais do que ela – ele vinha pra mim chorando, e parecia que na hora em que eu escutava o seu choro, um cronômetro já disparava. Eu dava a ele uns 30 segundos, quer dizer, quando ele chegava perto eu já ia dizendo coisas do tipo, “Por que você está chorando? Levanta a cabeça. Olha pra mim. Me explica o que deu errado. Me diz o que há de errado. Não estou te entendendo. Por que você está chorando”

E em virtude da minha própria frustração sobre meu papel e minha responsabilidade em criá-lo com um homem que se adequasse às diretrizes e estruturas definidas nessa ‘caixa da masculinidade’, eu me pegava dizendo coisas como: “Já para o quarto. Vai, vai para o seu quarto. Senta lá, dá seus pulos, e volta aqui quando você puder conversar como um – “O quê?”

Platéia: “Homem.”

“Como um homem.” E ele tinha só cinco anos. Há medida em que fui amadurecendo, eu disse a mim mesmo: “Minha nossa, o que há de errado comigo?” o que eu estou fazendo? Por que eu faria isso?” E me recordei do passado. Me lembrei do meu pai.

Houve uma época na minha vida quando tivemos uma experiência muito difícil em família. Meu irmão Henry morreu tragicamente quando éramos adolescentes. Morávamos em Nova York, como eu disse. Morávamos no Bronx naquela época. E o cemitério ficava num lugar chamado Long Island, cerca de duas horas fora da cidade.

Enquanto nos preparávamos para voltar do cemitérios os carros pararam perto dos banheiros para que as pessoas se preparassem para a longa viagem de retorno. A limusine foi esvaziando. Minha mãe, irmã, tia, saíram todas, e eu fiquei sozinho com meu pai.

Assim que as mulheres saíram, meu pai se derramou em lágrimas. Ele não queria chorar na minha frente. Mas ele sabia que não conseguiria chegar à cidade sem chorar, então era melhor expressar seus sentimento e emoções na minha frente do que na frente delas.

E esse é um homem que, há 10 minutos, tinha colocado seu filho no sepulcro – algo que eu não consigo nem imaginar como seja.

A coisa que mais me marcou foi que ele estava se desculpando por chorar na minha frente. E ao mesmo tempo, me elogiava, me incentivava, por não chorar.

Também olho para isso como um medo que temos como homens, este medo que nos paralisa, e nos prende à essa caixa da masculinidade.

Eu me lembro de uma conversa que tive com um garoto de 12 anos, que treinava futebol, e perguntei a ele: “Como você se sentiria se, na frente de todo o time, seu técnico te dissesse que você joga igual a uma garota?”

Eu esperava que ele dissesse algo como, “eu ficaria triste, maluco, com raiva”, ou alguma coisa assim.

Não, o garoto me disse – o garoto me falou, “Isso me destruiria.” E eu disse a mim mesmo: “Minha nossa, se ser chamado de garota o destruiria, o que então nós estamos ensinando a ele sobre as meninas?”

Aplausos...

Isso me faz lembrar quando eu tinha 12 anos. Eu cresci em um cortiço no centro da cidade. Nessa época morávamos no Bronx. E no prédio ao lado onde eu morava havia um cara chamado Johnny. Ele tinha uns 16 anos, e nós tínhamos 12 – éramos mais jovens. E ele saía conosco, os meninos mais jovens.

E esse cara, se envolvia num monte de encrencas. Ele era o tipo de garoto que os pais teriam que se perguntar: “O que esse moleque de 16 anos está fazendo no meio dos meninos de 12?”

E ele passava um bom tempo fazendo besteiras. Ele era um garoto problemático. A mãe dele tinha morrido de overdose de heroína. Ele estava sendo criado pela avó. O pai dele nem aparecia.

Sua avó tinha dois empregos. Ele ficava muito tempo sozinho em casa. Mas eu tenho que lhes dizer uma coisa, nós rapazes, olhávamos para ele com admiração. Ele era legal. Ele era maneiro. Isso era o que as meninas diziam, “Ele era maneiro.” Ele estava fazendo sexo. Nós tínhamos admiração por ele.

Certo dia, eu estava na frente da casa fazendo alguma coisa – brincando, fazendo alguma coisa – não seu o quê. Ele olha da janela, me chama pra subir, ele disse “Ei Anthony, chega aí.” Quando o Johnny chama, você vai. Corri escada acima.

Ele abre a porta, e me diz, “E aí, tá a fim?”

Eu saquei na hora o que ele queria dizer. Porque para mim que estava crescendo, e aprendendo sobre essa caixa da masculinidade, “tá a fim” poderia significar apenas duas coisas, sexo ou drogas – e não estávamos usando drogas. Agora minha caixa, entrou na hora em estado de alerta.

Por dois motivos: Primeiro, eu nunca tinha feito sexo. Nós não conversamos sobre isso como homens. Você só fala para o seu amigo mais chegado, e promete guardar segredo pra toda a vida, quando você tem sua primeira relação. Para os outros, a gente espalha que já fez sexo desde os dois anos de idade. Pra gente não tem esse negócio de primeira vez.

Risos.

A outra coisa que eu não podia contar pra ele é que eu não estava a fim. Essa era a pior parte. De nós é esperado que fiquemos sempre à espreita. As mulheres são objetos, especialmente objetos sexuais. Então, de qualquer forma, eu não poderia contar isso pra ele. Como minha mãe dizia, pra encurtar a história eu simplesmente disse ao Johnny, “Valeu”. Ele me disse pra entrar no quarto. Eu entrei. Na cama dele tem uma garota da vizinhança chamada Sheila. Ela está nua. Ela é o que chamamos hoje de doente mental, com um funcionamento oscilante do cérebro. Tínhamos uma série de apelidos pejorativos pra ela.

De qualquer modo, Johnny tinha acabado de fazer sexo com ela. Bem, na verdade, ele a havia estuprado, porque apesar dela nunca ter dito que não ela também não havia dito que sim. Então, ele estava me oferecendo a oportunidade de fazer o mesmo.

Então quando eu entro no quarto, eu fecho a porta. Pessoal, eu estou petrificado. Eu firmo a porta com as costas, para que o Johnny não entre de repente no quarto e veja que eu não estou fazendo nada. Fico lá o tempo suficiente como se eu realmente tivesse feito alguma coisa. Agora eu não estou mais tentando descobrir o que fazer, mas sim como eu vou sair daquele quarto.

Então, com meus 12 anos de sabedoria, eu baixo o fecho da calça, saio para a sala de estar. E para minha surpresa, enquanto eu estava no quarto com a Sheila, o Johnny voltou para a janela e chamou mais rapazes.

Então agora há uma sala cheia de gente. Era como a sala de espera num consultório médico. E eles me perguntam como tinha sido. Eu respondo: “Foi bom.” E eu levanto o fecho na frente deles, e vou direto para a porta.

Agora eu digo isso com um remorso na consciência, eu estava com a consciência pesada naquela hora, mas eu estava em conflito, porque, embora estivesse sentindo remorso, também estava animado porque não havia sido pego, mas eu sabia que estava me sentindo mal pelo que estava acontecendo. Esse medo de sair da caixa de masculinidade me envolveu completamente.

O que estava em questão para mim era minha saída da caixa, muito mais do que o que estava acontecendo com a Sheila.

Visto de um modo coletivo, nós homens somos ensinados a considerar as mulheres como tendo menor valor, como se fossem propriedade e objetos dos homens. Essa nossa equação acaba gerando a violência contra o gênero feminino.

Nós como homens, como bons homens, a imensa maioria deles, nós operamos na fundação dessa socialização coletiva. Nos vemos de um modo peculiar, como se fôssemos separados, mas somos parte disso.

Veja bem, temos que entender que a desvalorização do sexo feminino, o senso de que as mulheres são uma propriedade dos homens formam a base para a violência, e essa não pode existir sem aquela.

Então, somos significativamente parte da solução como do problema. O centro para controle de doenças afirma que a violência contra a mulher está atingindo proporções epidêmicas, é a preocupação número um que afeta a saúde da mulher nesse país e por todo o mundo.

Então, rapidamente, gostaria de dizer que esta menina é o amor da minha vida, minha filha Jay. No mundo que eu vislumbro para ela, como eu quero que os homens ajam e se comportem? Eu preciso que vocês embarquem comigo nessa. Eu preciso de vocês comigo. Eu preciso de vocês trabalhando comigo e preciso trabalhar com vocês no modo como criamos nossos filhos e os ensinamos a serem homens -- não há nada de errado em não ser dominador, em ter sentimentos e emoções, é valido que se promova a igualdade, que se tenha amigas que são apenas amigas, é legal ser íntegro, que minha liberação como homem está ligada à sua liberação como mulher.

Eu me lembro de ter perguntado a um garoto de nove anos: “Como seria a vida se você não tivesse que seguir as tradições ligadas a representações de masculinidade?” Ele respondeu: “Eu seria livre.”

Obrigado, pessoal.

A Call to Men, by Tony Porter

I grew up in New York City, between Harley and the Bronx.

Growing up as a boy, we were taught that men had to be tough, had to be strong, had to be courageous, dominating -- no pain, no emotions, with the exception of anger -- and definitely no fear -- that men are in charge, which means women are not; that men lead, and you should just follow and do as we say; that men are superior, women are inferior; that men are strong, women are weak; that women are of less value -- property of men -- and objects, particularly sexual objects.

I’ve later come to know that to be the collective socialization of men, better known as ‘the man box’. See this man box has in it all the ingredients of how we define what it means to be a man.

Now I also want to say, without a doubt, there are some wonderful, wonderful, absolutely wonderful things about being a man.

But at the same time, there’s some stuff that just straight up twisted. And we really need to begin to challenge, to look at it and really get in the process of deconstructing, redefining, what we come to know as manhood.

This is my two at home, Kendall and Jay. They’re 11 and 12. Kendal’s 15 months older than Jay. There’s a period of time when my wife, her name is Tammie, and I, we just got real busy and whip, bam, boom: Kenday and Jay.

Laughter.

And when they were about five and six, four and five, Jay could come to me, come to me crying. It didn’t matter what she was crying about, she could get on my knee, she could snot my sleeve up, just cry, cry it out. Daddy’s got you. That’s all that’s important.

Now Kendall on the other hand -- and like I said, he’s only 15 months older than her -- he came to me crying, it’s like as soon as I would hear him cry, a clock would go off. I would give the boy probably about 30 seconds, which means, by the time he got to me, I was already saying things like, “Why are you crying? Hold your head up. Look at me. Explain to me what’s wrong. Tell me what’s wrong. I can’t understand you. Why are you crying?”

And out of my own frustration of my role and responsibility of building him up as a man to fit into these guidelines and these structures that are defined at this man box, I would find myself saying things like: “Just go in your room. Just go, go on in your room. Sit down, get yourself together, and come back to me when you can talk to me like a -- "What?”

Audience: “Man.”

“Like a man.” And he’s five years old. And as I grow in life, I would say to myself: “My God, what’s wrong with me? What am I doing? Why would I do this?” And I think back. I think back to my father.

There was a time in my life when we had a very troubled experience in our family. My brother, Henry, he died tragically when we were teenagers. We lived in New York City, as I said. We lived in the Bronx at the time. And the burial was in a place called Long Island, it was about two hours outside of the city.

And as we were preparing to come back from the burial the cars stopped at the bathroom to let folks take care of themselves before the long ride back to the city. And the limousine empties out. My mother, my sister, my auntie, they all get out, but my father and I stayed in the limousine.

And no sooner than the women got out, he burst out crying. He didn’t want to cry in front of me. But he knew he wasn’t going to make it back to the city, and it was better me than to allow himself to express these feelings and emotions in front of the women.

And this is a man who, 10 minutes ago, had just put his teenage son in the ground -- something I just can’t even imagine.

The thing that sticks with me the most is that he was apologizing to me for crying in front of me. And at the same time, he was also giving me props, lifting me up, for not crying.

I come to also look at this as this fear that we have as men, this fear that just has us paralyzed, holding us hostage to this man box.

I can remember speaking to a 12-year-old boy, a football player, and I asked him, I said, “How would you feel if, in front of all the players, your coach told you were playing like a girl?”

Now I expected him to say something like, I’d be said, I’d be mad, I’d be angry, or something like that.

No, the boy said to me -- the boy said to me, “It would destroy me.” And I said to myself, “God, if it would destroy him to be called a girl, what are we then teaching him about girls?”

Applause…

It took me back to a time when I was about 12 years old. I grew up in tenement buildings in the inner-city. At this time we’re living in the Bronx. And in the building next to where I lived there was a guy named Johnny. He was about 16 years old, and we were all about 12 years old -- younger guys. And he was hanging out with all us younger guys.

And this guy, he was up to a lot of no good. He was the kind of kid who parents would have to wonder, “What is this 16-year-old boy doing with these 12-year-old boys?”

And he did spend a lot of time up to no good. He was a troubled kid. His mother had died from a heroin overdose. He was being raised by his grandmother. His father wasn’t on the set.

His grandmother had two jobs. He was home alone a lot. But I’ve got to tell you, we young guys, we looked up to this dude. He was cool. He was fine. That’s what the sisters said, “He was fine.” He was having sex. We all looked up to him.

So one day, I’m out in front of the house doing something -- just playing around, doing something -- I don’t know what. He looks out his window, he calls me upstairs, he said, “Hey Anthony.” They called me Anthony growing up as a kid. “Hey Anthony, come on upstairs.” Johnny call, you go. So I run right upstairs.

As he opens the door, he says to me, “Do you want some?”

Now I immediately knew what he meant. Because for me growing up at that time, and our relationship with this man box, ‘do you want some’ meant one of two things, sex or drugs -- and we weren’t doing drugs. Now my box, my card, my man box card, was immediately in jeopardy.

Two things: One, I never had sex. We don’t talk about that as men. You only tell your dearest, closest friend, sworn to secrecy for life, the first time you had sex. For everybody else, we go around like we’ve been having sex since we were two. There ain’t no first time.

(Laughter.)

The other thing I couldn’t tell him is that I didn’t want any. That’s even worse. We’re supposed to always be on the prowl. Women are objects, especially sexual objects.

So, anyway, I couldn’t tell him any of that. So, like my mother would say, make a long story short I just simply said to Johnny, “Yes”. He told me to go in his room. I go in his room. On his bed is a girl from the neighborhood named Sheila. She’s 16 years old. She’s nude. She’s what I know today to be mentally ill, higher functioning at times than others. We had a whole choice’s-worth of inappropriate names for her.

Anyway, Johnny had just gotten through having sex with her. Well, actually, he raped her, but he would say he had sex with her. Because, while Sheila never said no, she also never said yes. So he was offering me the opportunity to do the same.

So when I go in the room, I close the door. Folks, I’m petrified. I stand with my back to the door so Johnny can’t bust in the room and see that I’m not doing anything. And I stand there long enough that I could have actually done something. So now I’m no longer trying to figure out what I’m going to do, I’m trying to figure out how I’m going to get out of this room.

So in my 12 years of wisdom, I zip my pants down, I walk out into the living room. And lo and behold to me, while I was in the room with Sheila, Johnny was back at the window calling guys up.

So now there’s a living room full of guys. It was like the waiting room in the doctor’s office. And they asked me how was it. And I say to them, “It was good.” And I zip my pants up in front of them, and I head for the door.

Now I say this all with remorse, and I was feeling a tremendous amount of remorse at that time, but I was conflicted, because, while I was feeling remorse, I was excited, because I didn’t get caught, but I knew I felt bad about what was happening. This fear getting outside the man box totally enveloped me.

It was way more important to me, about me and my man box card than about Sheila and what was happening to her.

See collectively, we as men are taught to have less value in women, to view them as property and the objects of men. We see that as an equation that equals violence against women.

We as men, good men, the large majority of men, we operate on the foundation of this whole collective socialization. We kind of see ourselves separately, but we’re very much a part of it.

You see, we have to come to understand that less value, property and objectification is the foundation and the violence can’t happen without it.

So we’re very much a part of the solution as well as the problem. The center for disease control says that men’s violence against women is at epidemic proportions, is the number one health concern for women in this country and abroad.

So quickly, I’d like to just say, this is the love of my life, my daughter Jay. The world I envision for her, how do I want men to be acting and behaving? I need you on board. I need you with me. I need you working with me and me working with you on how we raise our sons and teach them to be men -- that's okay not to be dominating, that’s okay to have feelings and emotions, that’s okay to promote equality, that’s okay to have women who are just friends and that’s it, that’s okay to be whole, that my liberation as a men is tied to your liberation as a woman.

I remember asking a nine year-old boy. I asked a nine year-old boy, “What would life be like for you, if you didn’t have to adhere to this man box?” He said to me, “I would be free.”

Thank you folks.

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