Um Jeito Poliana de Ser

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

Poli com seus cachorrinhos

Poli com seus cachorrinhos

Certa vez, quando a Poli tinha uns três aninhos, estava com ela no colo, andando pela sala. Ao nos aproximarmos de uma foto da Martha comigo à porta do templo de São Paulo no dia do nosso casamento, o grilo falante entrou em ação:

-- Papai, nessa foto cê tá casando com a mamãe?

-- Tô, filha...

-- Por quê?

-- Porque o papai ama a mamãe.

Ela pensou um pouquinho, e disse:

-- Papai, cê me ama?

-- Claro que amo!

-- Então... Vamos casar?!

= = = = =

Nessa mesma época, enquanto passeávamos ao lado do rio Paraíba, a Poli perguntou:

-- Papai, o Paraíba é fundo?

-- É muito fundo, filha.

-- Nele cabem quantos elefantes, um em cima do outro?

-- Ah... Uns dois ou três, eu acho.

O pinguinho de gente não deixou barato:

-- E girafas?

= = = = =

Durante uma aula na igreja – cujo tema era a expiação de Jesus Cristo – a professora estava enfrentando certos desafios para manter a disciplina.

Ao final, enquanto recolhia os materiais - pensativa sobre como havia deixado de alcançar os objetivos propostos pela aula - e todos os outros alunos já haviam saído, ela foi surpreendida pela Poliana:

-- Tia, eu gostei muito da aula, viu? Obrigado por você ter preparado com tanto carinho. Posso te ajudar a carregar o material?

A professora – que é pedagoga por profissão e lidera uma organização da Pestalozzi em nossa cidade – nos contou com lágrimas nos olhos que essa foi para ela uma grande lição.

A partir de então, quando pensa que ninguém está dando a mínima para sua aula, lembra daquele momento e sente-se animada para continuar.

= = = = =

Certo dia, fiquei todo contente ao ler que ‘feliz é o homem que chega em casa com as mãos abanando, e recebe um abraço da mesma maneira’.

Embora meu pai tivesse o hábito de sempre nos trazer coisas ‘de gostoso’ no final do dia, nunca tive essa qualidade.

Naquela noite, quando vi a Poliana correndo para me receber com um abraço e, percebendo que estava de mãos vazias, lembrei-me do que havia lido.

Quando já estávamos no sofá, comentei com ela o ocorrido. Do alto dos seus seis anos, ela respondeu como gente grande:

-- Papai, você pode chegar a qualquer hora com as mãos vazias. Pra nós o mais importante é você.

Diário de Poliana, 19.04.2008:

Dia de Passeio! Sabadão!!!

Hoje fomos à cachoeira. Que delícia é lá! A água é geladinha e limpinha. Tem lugares ótimos para nadar.


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Comments for Um Jeito Poliana de Ser

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Apr 22, 2011
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um jeito Poliana de ser
by: valdoir

É muito gratificante para nós - pais - lermos experiências como essas. Ao ler essas palavras(diário de Poli) sinto siceridade e pureza, vindas da alma de uma criança.

Apr 20, 2011
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Privilégio acima de tudo
by: Roberto Carlos

Quão privilegiado sou por conviver com essa criança tão especial.

Parabéns por nos deixar conhecer um pouco mais a nossa querida Poli.

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