Um Dia de Cada Vez

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

No primeiro trimestre de 2010, recebi um telefonema de minha esposa, informando que a Poli estava ajudando o irmão a lavar a varanda, quando sentiu uma grande dor ao tentar levantar um balde com água.

No início da noite, a levamos ao posto de saúde, e a neuropediatra de plantão nos encaminhou ao hospital público municipal. Lá, foram realizados exames de raios X, e marcaram uma ressonância para conferir a situação da coluna.

Voltamos para casa na mesma noite, e durante os próximos dias ficamos aguardando o telefonema do hospital...

Neste período a Poli começou a enxergar em duplicidade. Para corrigir a imagem, ela entortava um dos olhos, ficando estrábica. Aquilo nos deixou preocupados...
Fomos até a escola e conversamos com a professora. Pedimos que a deixasse sentar na fileira da frente, para que conseguisse enxergar melhor.

Enquanto esperávamos pelo chamado do hospital, fizemos um passeio em companhia de amigos no dia dois de abril.

Durante a atividade, a Poli estava agachada quando uma coleguinha deu-lhe um abraço de surpresa. Ela caiu de costas, gritando de dor. Eu estava por perto e vim correndo. Ela estava imóvel no chão, e me pediu que a deixasse ali quieta – com medo de que ao se movimentar a dor aumentasse ainda mais.

Com bastante cuidado a levantamos, entramos no carro e fomos para casa. A dor continuou. Ela permanecia imóvel no sofá. Por fim, decidimos levá-la ao hospital de Praia Brava.

Para entrarmos novamente no carro, levamos quase uma hora. Expliquei a situação ao enfermeiro, que por sinal foi bastante paciente conosco. Após ser examinada pelo médico, fomos encaminhados novamente à sala de raios X.

Depois de um tempão, conseguimos posicioná-la na máquina da forma correta. O medo de que a dor retornasse lhe dificultava os movimentos.

Após o exame, fomos direto para a enfermaria pediátrica. O técnico ainda me alertou de que aquele quadro poderia ter alguma relação com alguma debilidade no sangue, pois estava estudando hematologia e já havia presenciado situações semelhantes.

Como cada pessoa que tomava conhecimento do caso tinha uma opinião pessoal a respeito, pensei que fosse apenas mais um entre tantos conselhos, e deixei o assunto cair no esquecimento.

Nossa jornada durou onze dias, em regime de turnos. Quando a Martha acompanhava a Poli durante o dia, eu a acompanhava de noite, e vice-versa. No momento da troca, atualizávamos as informações sobre o tratamento e mantínhamos contato por telefone no restante do tempo.

Ali conhecemos pessoas maravilhosas. Vivenciamos de perto como a rotina de uma internação pode desestabilizar a vida familiar. Reconhecemos a necessidade do apoio dos amigos – que nos visitaram em casa e no hospital, sempre com uma palavra de esperança para nos confortar.

A Poli começou a tomar corticóides e a fazer exames de sangue diariamente, mas sua taxa de glóbulos brancos continuava baixíssima.

Como no décimo dia houve uma pequena melhora, liberaram nossa pequena no dia seguinte. Voltamos para casa com ela ainda mancando - pois ainda não havia recuperado a força nas pernas.

Uma das médicas foi categórica em afirmar que aquela situação melhoraria em breve...



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