simplesmente poliana - capítulo 55
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

uma nova perspectiva

Compreender a morte é um processo contínuo. Considerar o assunto pode ser um grande passo para quem deseja fazer as pazes com a vida. Enclausurados em nossa forma de contar o tempo e de perceber o espaço, ficamos limitados às nossas percepções – por vezes tão limitadas – das verdades com as quais convivemos.

Nossa atitude em relação ao assunto baseia-se em nossas crenças mais profundas. Para alguns, ela representa uma

passagem; para outros, um destino final. A continuação versus o fim.

Com tantas interpretações e crenças sobre o mesmo fato, muitos acabam tateando em meio à confusão em seus momentos mais difíceis. Decidi abordar o tema por acreditar que pessoas sensatas podem se beneficiar dialogando sobre qualquer assunto – inclusive sobre a morte.

Considero-me como o viajante que se orienta pela lua enquanto aguarda o amanhecer. Acredito que mesmo na noite mais escura a jornada é mais agradável quando se viaja em boa companhia.

Além disso, amigos que participaram do funeral de nossa filha – falecida aos nove anos – disseram que sua perspectiva sobre o assunto foi ampliada. Um deles comentou:

“Não sei se vou conseguir expressar com as palavras certas, mas quero te dizer uma coisa... Minha perspectiva mudou. Antes, eu tinha verdadeiro pavor só de pensar em morrer. Hoje eu não tenho mais.

Ao ver sua filha no caixão, e a atitude de vocês ali, tranqüilos, eu percebi que ela – a essência dela – não estava mais ali. Aquele era apenas o corpo. Senti que ela já estava num outro lugar. E com certeza, mais feliz do que aqui.”

Assim, compartilho algumas idéias e experiências que representam minha percepção sobre a morte. Vamos juntos nessa pequena viagem. É bom estar em sua companhia...

Crescendo e Aprendendo com a Morte

Durante a maior parte da infância, morei perto do cemitério. ‘Perto’ é força de expressão. De nossa casa avistávamos o caixão sendo velado. Em dias de velório, minha mãe fechava a porta da cozinha, e precisava manter a lâmpada acesa.

Além da própria rua, o cemitério era nosso playground. Ali, podíamos brincar de pique-esconde, nadar num riacho, passear pelos morros, caçar passarinhos, e como suprema prova de coragem, visitar uma casinha de ossos. Ela era enterrada pela metade no chão, e tinha apenas uma janela. Nosso desafio era abrir a janela, prender a respiração, olhar aquele amontoado de ossos por alguns segundos, e passar a vez para o próximo garoto. Moleque tem cada mania...

Mas a empreitava que nos amedrontava mesmo era roubar pombinhos à noite. Confesso que só entrei nessa uma vez, mas alguém quebrou uma telha e fez o maior barulho. Saímos em disparada morro abaixo.

Dito isso, talvez se explique um pouco porque me sinto em casa quando visito cemitérios.

Experiências com a Morte

Aos doze anos, eu morava com meu pai. Como ele era churrasqueiro, saíamos pela manhã para comprar a carne, ele preparava os churrascos à tarde, e vendíamos juntos à noite.

Naquela manhã, o sono me venceu e ele foi sozinho. Eu havia acordado tarde e estava ajudando uns colegas a reformar nosso campinho. Foi aí que chegou um parente me procurando, afobado, dizendo que precisava levar uns documentos do pai para o hospital, pois ele havia “passado mal na rua” e estava no hospital.

Busquei os documentos, e fui para a casa de minha mãe. Eles estavam separados há dois meses. Em poucos dias, chegou a notícia: minha mãe estava viúva aos trinta e dois anos.

É claro que fiquei triste, mas levei uns três meses até me dar conta que não veria mais meu pai nessa vida.

Depois de dezoito anos – quando eu já tinha trinta – minha mãe veio a falecer. Entrei em casa procurando suavizar a notícia para nossos quatro filhos pequenos: “Galera, eu tenho uma notícia pra vocês: a vovó Cacilda foi para o céu.” Nossa filha mais velha – na época com cinco anos, me repreendeu: “Pai, isso não tem graça nenhuma...”

Mas o maior de todos os desafios ainda estava por vir...

Para nossa família, o ano de 2010 foi o mais difícil que já passamos. Foi quando nossa filha caçula teve leucemia. Sem

conseguirmos um diagnóstico preciso, peregrinamos por quatro hospitais, e o resultado foi uma fatalidade.

Fizemos o que estava ao nosso alcance, segundo os recursos e o conhecimento que tínhamos na época. Tivemos o apoio irrestrito de centenas de amigos. Estou escrevendo um livro em sua homenagem, o que tem me ajudado bastante a encontrar o equilíbrio...

Um Evento, Muitos Significados

Muitos são os sentimentos de quem perde um ente querido. Alguns sentem remorso por não terem feito o que estava ao seu alcance. No meu caso, o maior desafio é saber que teremos que esperar mais do que gostaríamos para revê-la novamente.

Se por um lado o sentimento de perda nos faz sentir vontade de trocar absolutamente TUDO pela vida de quem tanto amamos, por outro a esperança bem fundamentada e o apoio dos amigos nos dão força para atravessar nosso deserto pessoal.

Criando Novas Referências

Por que fazemos com tanta freqüência um juízo equivocado de pessoas, fatos e situações? Porque nossa percepção da realidade nem sempre corresponde à realidade em si.

Por exemplo, se durante uma cerimônia de casamento você presenciar a mãe da noiva chorando, qual será sua conclusão?

O que representam as lágrimas: realização ou remorso, felicidade ou alegria?

Construímos algumas de nossas crenças – e fazemos algumas escolhas – com base em referências, sejam elas herdadas por nossos pais ou por influência da sociedade na qual vivemos. Hábitos comuns numa região podem causar estranheza num outro extremo do país. Com o tempo e o convívio, nos acostumamos aos poucos com culturas e valores alternativos.

Existe uma outra classe de valores bastante específica: os dogmas. São verdades que têm como referência uma fonte – a nosso modo de ver – irrefutável. Podem chegar a nós por revelação divina ou por uma interpretação particular das Escrituras. De qualquer modo, não admitem contestação. Ao menos, pública.

Mas no íntimo de cada um, naqueles momentos de sobriedade em que fazemos a nós mesmos as perguntas mais profundas sobre a existência humana, existe sempre espaço para uma nova inserção.

Nessa busca, descobri perspectivas que orientam e fortalecem minha fé. Que nutrem minha esperança e trazem de volta o desejo de viver à altura de reencontrar aqueles entes queridos que se foram. Eis algumas delas:

1. Se a morte é o oposto da vida, uma será sempre a negação da outra. Se essa representa a beleza, aquela, a feiúra. Essa, a alegria, aquela, a tristeza. Mas ao considerar a morte como

parte integrante da vida, torna-se possível que as duas coexistam num mesmo plano.

2. Mesmo sem conhecer todos os detalhes, tenho motivos para crer que o estado de quem deixa essa vida pode ser de paz, harmonia e felicidade. Em especial quando se trata de uma criança que parte dessa vida num estado de inocência.

3. Jesus Cristo fez muito mais por nossa felicidade – no presente e no porvir – do que somos capazes de compreender nessa vida. Seja lá qual for nossa crença, num determinado momento teremos a capacidade de ver com transparência suficiente a fim de compreendermos a plenitude da verdade. Ele compreende a limitação de nossa atual perspectiva.

Minha conclusão sobre a esperança da vida após a morte faz eco às palavras de Cora Coralina, renomada escritora que publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade:

“Creio na solidariedade humana, na superação dos erros e angústias do presente. Aprendi que mais vale lutar do que recolher tudo fácil. Antes acreditar do que duvidar." 


Diário de Poliana, 16 de Outubro de 2008.

Hoje foi um dia bem legal porque há, há, há, há, eu faltei aula porque eu não bem eu já estava no ônibus da escola aí as minhas costas começaram a arder porque a minha mochila estava pesada o sol estava quente minhas costas estavam ardendo porque ontem a gente foi à praia e eu me queimei aí eu comecei a chorar e eu falei ao meu irmão Arthur:

-- Me leve até a mamãe porque as minhas costas estão ardendo, por favor. Aí ele disse que sim e eu voltei e a minha mãe sempre volta com a tia Rita aí hoje quando eu e meus irmão estávamos voltando a tia Rita olhou e nos viu aí ela avisou a minha mãe aí ela nos esperou e perguntou: -- Por que vocês estão voltando do ônibus aí meu irmão Arthur disse porque vou botar fim porque eu estou deitada com a minha mãe e ela já está com muito sono ta.

Fim.

Ah, não posso me esquecer de botar tchau tchau então eu vou botar isso está bem Tchau, tchau, agora sim. Fim.

Continuo amanhã.

Ah, mas não continuo mesmo.

Fim.

Caramba, já botei 4 fins.

Fim.

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