simplesmente poliana - capítulo 54
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

o planeta azul

A maioria das famílias desenvolve, com o passar do tempo, algumas tradições que que são conhecidas apenas por seus próprios membros.

Certa vez, numa conversa sobre qual seria o local mais distante do universo, a opinião da família ficou dividida. Alguns elegeram o Planeta Verde, outros, o Planeta Azul.

Desde então, ao nos despedirmos com um beijo de boa-noite, sempre digo às crianças: “O pai te ama, daqui até o planeta

verde... acrescentando sempre um veículo que demore bastante para chegar lá:

 De pernilongo com a asa quebrada

 De tartaruga com labirintite

 De bicicleta sem rodas nem pedal

As crianças sempre retribuem à altura, inventando um veículo que seja ainda mais lento!

Quando eu dizia à Poli o quanto a amava (e ainda amo), e citava o planeta verde, ela me corrigia com apenas uma palavra: azul.

Em nossa última conversa – durante a transferência do quarto particular para a Unidade de Terapia Intensiva no Prontobaby – a cena se repetiu. Enquanto as enfermeiras transportavam a maca, curvei-me e sussurrei, enquanto acariciava seus cabelos: “O papai te ama, daqui até o planeta... verde.” Mesmo sem condições de abrir os olhos, ela sussurrou de volta: “Azul.”

Continuei: “Qual fica mais longe, o verde ou o azul?” Ela respondeu com convicção: “É o mesmo planeta. Você é que fala errado...”

Dei-lhe um beijo, e falei: “Pode ir tranqüila, Poli. Sei que a gente vai se encontrar de novo...”

E ela se foi mesmo.

Dia após dia imagino a oportunidade que teremos de nos encontrar de novo. Penso naquele Planeta no qual os amigos e parentes que nos precederam devem habitar... Quantos dos nossos conceitos sobre as pessoas ou sobre esse vasto universo estarão equivocados!

Quantas oportunidades ainda perco de ficar calado, e outras, de partilhar uma simples palavra de conforto...

No final das contas, fará alguma diferença se o tal planeta for verde, azul, vermelho ou amarelo? Na verdade, não me preocupo com sua cor ou localização. (Além de daltônico, consigo ser péssimo motorista!)

Em meio a tantas incertezas da vida, o que mais desejo é manter acesa a esperança de um dia reencontrar aqueles aos quais tanto amei nessa Terra.

Quando essa hora chegar, a primeira coisa que farei é procurar aqueles olhinhos brilhantes, aquela risada contagiante... e vou correndo dar um abraço apertado no meu grilinho falante!

De novo, estarei de mãos vazias. Ela vai me contar as novidades do lado de lá e eu lhe contarei o que mudou do lado de cá...

E correremos juntos, de mãos dadas, muitas e muitas vezes, pelo restante da eternidade


Diário de Poliana, 15 de Outubro de 2008. Quarta.

Hoje foi um dia muito legal porque a gente foi na praia 10 horas e saímos às 3 horas. Aí a gente também encontrou uma estrela. O Arthur queria deixar ela secar para botar na parede mas hoje também em casa nós voltamos todos queimados aí acho que vou botar fim tá.

Fim.

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