simplesmente poliana - capítulo 52
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

uma mensagem de conforto

Ao tomar conhecimento do que nossa família estava passando, uma amiga de minha irmã – que havia vivido uma experiência semelhante à nossa – enviou-lhe um email com as lições aprendidas.

Com mais tempo para refletir, relemos a mensagem, e minha esposa comentou que retratava exatamente seus sentimentos. Com a autorização da autora, reproduzo aqui suas palavras:

Resende, 03 de outubro de 2010.

Querida amiga Suzana,

É com muita humildade que resolvi escrever para você e compartilhar um pouco da minha dolorosa experiência e como pude enfrentá-la.

Sei que não sou melhor e nem mais forte do que ninguém, mas acredito que por ter passado por isso, posso ser um instrumento nas mãos do Senhor e ajudar outros que estão enfrentando situações semelhantes.

Meu primeiro filho (Nicholas) faleceu com 6 meses de vida, após passar 6 meses no hospital em estado grave. Acredito que essa é uma das mais dolorosas experiências da mortalidade, mas pode ser profundamente transformadora se conseguirmos ao menos em parte aprender algo com ela. Comigo foi assim. Houve momentos de encharcar o travesseiro, houve momentos de dúvida e desalento. Mas como te disse, agarre-se ao seu testemunho e faça o que tem que ser feito.

“Você colherá os frutos da fé se for paciente e compreensivo quando Deus permitir que você tenha dificuldades na vida para que cresça e quando as respostas vierem aos poucos ao longo de um período prolongado de tempo.“ – Élder Richard G. Scott.

Suzana, comigo foi assim. As respostas vieram pouco a pouco, anos após anos e hoje consigo compreender um pouco melhor o propósito de tudo que aconteceu.

As lições que podemos aprender com experiências como essas são muito pessoais, mas vou compartilhar com você um pouco do que aprendi:

1) Compreendi melhor o amor que o Pai Celestial tem por nós. Apenas vendo o sofrimento do meu filho nesses dias, pude compreender o grande amor do Pai Celestial por cada um de seus filhos ao permitir que Seu Filho Unigênito sofresse para nos redimir.

2) Também pude compreender de forma mais real a dor de Maria, mãe de Jesus. Nunca havia pensado no tamanho de sua dor ao ver seu filho, puro e perfeito, ser julgado, crucificado, derramando sangue e lágrimas por erros e pecados que não cometera.

3) A expiação de Jesus Cristo se tornou muito mais real para mim. Pude me imaginar em Seu lugar e compreender, de forma muito limitada ainda, o quanto Ele sofreu e o tamanho de Seu amor por mim.

Meu amor e gratidão por Jesus Cristo foram multiplicados ao compreender que graças a Ele posso me arrepender e viver eternamente com minha família. A ressurreição também se tornou muito mais significativa para mim.

Um dia, vou poder criar meu amado Nicholas. Nenhuma bênção será negada se eu for digna.

4) Tornei-me mais sensível à dor do próximo. Consigo me colocar no lugar das pessoas e entender suas dores e sofrimentos.

5) Aprendi a depositar toda minha confiança em nosso Pai Celeste e sentir que Ele jamais nos abandona. Durante todo o período em que o Nicholas esteve no hospital, meu esposo e eu compreendemos exatamente as palavras de nosso Salvador quando disse:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27)

6) Aprendi a ter um olhar diferente para todos os que têm necessidades especiais. Imaginar que o Nicholas poderia ficar com alguma sequela, fez com que meu amor e admiração por esses nossos irmãos aumentassem.

7) Aprendi que nosso Pai Celestial nunca nos prova mais do que podemos suportar.

“É reconfortante saber que Deus jamais o provará além do que você poderá suportar com a ajuda Dele”. – Élder Richard G. Scott

8) Aprendi que o poder do Sacerdócio é real. Com menos de 1 mês de vida, o Nicholas ficou 5 dias sem urinar. Ficou todo inchado e o médico disse que teria que iniciar uma diálise nele no dia seguinte. Depois que o médico conversou conosco, meu esposo deu uma bênção de saúde em nosso bebê. Nessa mesma noite, o Nicholas voltou a urinar e a diálise não foi necessária.

9) Aprendi que Deus ouve e responde às nossas orações e jejuns. Em alguns momentos críticos, nosso pequeno foi poupado devido às orações e jejuns feitos por nós, nossos familiares, amigos fiéis de nossa Ala e de outros lugares. Aprendi também que precisamos pedir se quisermos receber.

10) Aprendi que às vezes a resposta às nossas orações é Não. Com pouco mais de um mês de vida, imploramos ao Senhor para que nosso pequeno não precisasse se submeter a uma cirurgia para fechar seu canal arterial.

Posteriormente, aos quatro meses de vida, novas súplicas para que ele não fosse submetido a uma traqueotomia. No entanto, nas duas ocasiões não fomos atendidos como imaginávamos.

Passamos, então, a compreender as palavras do Élder Russell M. Nelson: “Quando oramos, não devemos achar que podemos dar conselhos ao Senhor, mas devemos perguntar a Ele, e ouvir Seu conselho. Nem todas as nossas orações serão atendidas da forma que desejamos. De vez em quando, a resposta será não”.

Apesar das muitas lições que aprendemos com as batalhas enfrentadas pelo Nicholas, sentíamos que estávamos sendo instrumentos nas mãos do Pai Celestial para fortalecermos outras pessoas. Em nenhum momento, duvidamos. Meu esposo Ericson e eu tínhamos a certeza absoluta de que nosso pequeno guerreiro venceria todas as dificuldades e teria uma vida feliz ao nosso lado, aqui na esfera mortal. Mais de uma vez, o Nicholas teve parada cardiorrespiratória em meus braços.

Mantive minha serena fé de que tudo ficaria bem. Quando o médico nos chamou, em duas diferentes ocasiões, para dizer que as chances de nosso bebê sobreviver eram remotas, meu esposo e eu apenas nos olhávamos e pensávamos: “Você não sabe o que nós sabemos...”

No dia 09 de agosto de 2005, nosso grandioso Nicholas (com 3.140g) deixou o hospital em direção ao seu lar Celeste.

Por nunca termos duvidado, foi como se nosso mundo tivesse desabado. Em nenhum momento, nos preparamos para isso. Estávamos com nossas mentes e corações fixos na alta do Nicholas, por mais improvável que parecesse. E foi a partir daí, que meu esposo e eu começamos a descobrir a maior de todas as lições. Enquanto o Nicholas esteve internado, pensávamos que a maior lição seria a cura do Nicholas. Todos saberiam que a fé é capaz de tudo e que o Pai Celestial tem todo o poder. Achávamos que os médicos e todos que duvidaram poderiam aprender uma grandiosa lição.

Com a partida do Nicholas, meu esposo e eu começamos a entender que precisávamos ser humildes e perceber que a grandiosa lição seria para nós, não para os que nos cercavam. Se quisermos ser merecedores de viver com o Nicholas, precisamos nos submeter a TUDO que o Pai Celestial julgar que precisamos passar, com fé e paciência.

Então compreendemos, de forma mais significativa, as palavras do Élder Richard G. Scott:

“Mesmo se exercitar sua fé mais forte, Deus nem sempre o recompensará imediatamente de acordo com os seus desejos. Em vez disso, Deus irá responder com o que for melhor para você em Seu plano eterno.”

Su, essas foram algumas das coisas que aprendi. Mas, como disse, esse aprendizado é pessoal e cada pessoa que passa por uma experiência difícil, pode aprender algo diferente.

Eu e o Ericson estamos orando para que você e sua família sintam a doce paz e consolo do Espírito Santo. Se quiser compartilhar essa humilde carta, com seu irmão e sua cunhada, fique à vontade. Estamos à disposição para o que vocês precisarem. Contem com nossas orações e nosso amor. E lembre-se: A Poli está bem e não precisava continuar a passar pelos desafios dessa vida mortal. Ela é perfeita e já está exaltada...

Seja forte e tenha fé!!

Com carinho,

Carine e Ericson (pais do Nicholas e do Enzo)


Diário de Poliana, 26.03.2008:

Hoje foi um dia muito legal porque ontem não teve aula. Amanhã é sábado. Eu queria muito que minha mãe me buscasse, eu sempre peço para ela. Sempre peço uma última vez. Ela às vezes me busca, mas às vezes não. Bem como eu já cortei o assunto eu vou cortar de novo.

Amanhã, minha mãe disse que vai sair para ir lá em Itaguaí e a Rita vai ficar com a gente. Minha mãe vai sair 10 horas. Eu queria ir também, mas eu não posso. Lá vai ter uma reunião, só que de adulto, aí eu não posso ir. Meu pai está trabalhando ele não chegou ainda.

Fim.


Está gostando da história? Compartilhe com um amigo, e deixe seus comentários: