simplesmente poliana - capítulo 46
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

a vida pode ser bela

As crianças fazem geralmente perguntas difíceis de responder. Por sua vez, alguns adultos testam a paciência delas ao limite, seja apertando suas bochechas ou repetindo perguntas do tipo: “Você gosta mais do papai ou da mamãe?”

Numa daquelas ocasiões em que saí para buscar resultados de exames, a Poli fez um comentário com a Martha que demonstra a grandeza da sua percepção...

“Mãe, eu gosto muito quando você fica comigo porque você me dá banho, me faz carinho, cuida de mim...

Mas eu também gosto muito quando o papai fica comigo, porque ele me faz rir, faz palhaçadas, me deixa alegre.”

Quando a Martha me contou, meus olhos ficaram marejados, pois percebi que, mesmo com o coração partido, já havia brincado e dançado em três hospitais, com o objetivo de fazê-la feliz!

No hospital de Praia Brava o quarto era coletivo, e a porta do banheiro não tinha tranca. Quando ela ia ao banheiro, eu a ajudava carregando o suporte do soro, e ficava de guarda ao lado da porta.

Quando era minha vez de usar o banheiro, eu pedia que ela ficasse de guarda deitada na caminha dela mesmo, e que devia proteger aquela porta ‘com o sacrifício da própria vida, se necessário’! Ela ria a cada vez...

Certa ocasião eu estava dançando e me contorcendo ao lado da cama dela, quando de repente a enfermeira abriu a porta. Rapidamente, endireitei o corpo e fiz uma cara de sério, olhando para a Poli. Como ela riu disso, ao contar o episódio para a mãe e os amigos...

Outro episódio que ela gostava de contar foi quando saímos juntos para comprar frango assado, numa manhã de sábado. Na semana anterior os frangos estavam pequenos, e custavam oito reais cada. Compramos dois.

Naquele dia, os frangos estavam bem maiores. Fiquei empolgado na chegada, e fui logo dizendo: “Me vê dois frangos desses aí!”

Ao perguntar o preço, fui informado que cada um custava doze reais. Então, em voz um tanto mais baixa, corrigi o pedido: “Acho que um só já está de bom tamanho...”

Ao contar o caso, ela dava ênfase na autoridade com que eu havia feito o pedido, e me imitava, fazendo uma voz engraçada ao corrigir o pedido.

No intervalo entre uma internação e outra, Poli fez algumas conquistas. Uma delas, foi tomar banho sozinha.

Certa tarde, ela estava no banheiro, curtindo sua conquista, e nós todos esparramados pela casa. De repente, um baita grito!

Corremos todos para a porta do banheiro. A Martha entrou - ficamos esperando o veredito... brancos de susto...

-- O que foi, Poli?

-- Nada. Estava só testando pra ver se no banheiro dava eco!

Caímos na risada... Era nosso santo remédio!

Diário de Poliana, 24 de Maio de 2008.

Hoje foi um dia muito legal porque nós fomos na cachoeira de novo e eu atravessei o rio nadando e foi muito legal eu me senti um peixe. Todo mundo ficou orgulhoso por que eu nunca tinha atravessado o rio na minha vida toda!!

Antes da cachoeira meu pai estava dormindo com muito sono e eu fiquei lá:

-- Pai acorda! Pai acorda! Pai acorda!

E ele dormindo:

--Não, filha não! Daqui a pouco! Daqui a pouco!

E ele nunca levantava.

Aí eu fiquei com muita raiva e pensei: ah, vou dar uma maçã para ele acordar e se animar.

E ele logo levantou.

Fim.


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