simplesmente poliana - capítulo 34
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

o inesperado acontece

Subimos novamente para o quartinho onde havíamos estado antes. Apaguei as luzes, desliguei os aparelhos da tomada, me sentei num banquinho. A Martha sentou-se ao meu lado. Ficamos abraçados, esperando que a enfermeira nos trouxesse a derradeira notícia...

Aqueles foram os minutos mais longos das nossas vidas. Depois do que nos pareceu uma eternidade, a enfermeira chegou, cabisbaixa, agachou-se à nossa frente e, apoiando as mãos no joelho da Martha, disse:

-- Ela já está sedada, dormindo, e está sendo medicada.

Daqui a pouco vocês podem ir até lá ficar com ela... Fiquei sem palavras. Como aquela menina tão frágil poderia resistir tanto? Como ela conseguia continuar viva depois de tudo aquilo?

A enfermeira nos instruiu que deveríamos desocupar o quartinho, e que apenas um de nós poderia acompanhar a Poli por vez.

Juntamos nossas coisas, deixamos em um armário no segundo andar. Conversamos um pouquinho com a psicóloga – uma jovem que acertou na escolha da profissão – e voltei para ver a Poli. Ela estava recostada, dormindo como um anjinho, respirando com a ajuda de uma máscara.

Desci para encontrar com a Martha, e fomos para a casa de nossa amiga Fátima.

Depois de um banho, retornamos logo ao hospital. Ao entrar na UTI, já encontrei a Poli respirando com a ajuda de aparelhos. Explicaram-me que ela havia tido uma convulsão, e aquela seria a melhor maneira de protegê-la. Novamente, a cena foi bastante forte. Saí para falar com a Martha, que chorou copiosamente, e não quis entrar para vê-la.

Voltei para conversar com o médico. Disse-lhe que iria para casa dormir um pouco, para estar descansado quando a Poli acordasse do efeito sedativo. Ele concordou. Conversei um pouco com os enfermeiros, beijei a Poli e saí da UTI.

Voltamos, exaustos, à casa da Fátima. Havíamos feito tudo o que podíamos fazer. Naquela noite conversamos por horas – o sono não nos vencia. Lá pelas duas da manhã nos ajoelhamos e começamos a orar...

Como era de se esperar, nossas orações foram mais longas e sinceras do que de costume. Após agradecermos pela força que estávamos recebendo naqueles momentos difíceis, passamos para a parte dos pedidos:

1. A Martha pediu que a Poli ficasse curada, e sem seqüelas.

2. Eu pedi que a Poli ficasse curada, com ou sem seqüelas.

Após concluir a oração, ficamos em silêncio por alguns momentos, e recomeçamos a orar novamente. Dessa vez,

pedimos que o Senhor aceitasse nossa oferta, e que acontecesse o que fosse melhor para a Poli e que Ele reduzisse de alguma forma o sofrimento dela.

Ao utilizar a palavra ‘pedimos’, estou usando um eufemismo. Na verdade, ‘imploramos’, aos prantos, de todo o nosso coração.

Quando a Poli foi transferida para a UTI, apenas um de nós poderia permanecer junto dela por vez. A Fátima ofereceu sua casa como um local de apoio. Foi lá que dormimos nossa última noite no Rio, o que provou ser de extrema importância, visto que teríamos muitos assuntos a resolver nos dias seguintes...



VOCÊ SABIA?

Localizado na Rua Botucatu, 743, em São Paulo (SP), o hospital do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer atende crianças de todo o país.

O hospital conta com uma Casa de Apoio muito bem equipada para receber pacientes de outras cidades e estados que não têm condições de se hospedar na capital paulista.

Para saber mais, visite

graacc.org.br


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