simplesmente poliana - capítulo 26
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

hora de mudar

Na manhã seguinte, procurei a direção do hospital e expliquei-lhes nosso dilema. Informaram-nos que conheciam os melhores profissionais do Rio desde o princípio, mas que não poderiam oferecer os serviços deles, pois eram particulares e caso estivéssemos sem os recursos financeiros, poderíamos ficar constrangidos.

Ajudaram-nos a encontrar um dos melhores hematologistas pediátricos (pra mim, o melhor), e tivemos o prazer de conhecer o Dr. Paulo Ivo, que viria a se tornar um anjo em nossas vidas.

Por telefone, conversamos trinta e dois minutos, e ele me tratou como se fossemos velhos amigos. Esclareceu minhas dúvidas e disse que por questões éticas só poderia assumir os cuidados pela Poliana se o médico anterior entrasse em contato com ele e lhe passasse a responsabilidade. Percebi que estava tratando com um profissional de verdade, alguém que realmente se importava com as pessoas...

Assim, topei o desafio. Custe o que custasse, a situação precisava mudar. Determinado, voltei ao consultório do médico anterior. Fui tratado com extrema falta de profissionalismo, mas fiz de tudo para me controlar.

O esforço foi tão grande que acabou gerando um estresse emocional gigantesco. Meus sentimentos eram de raiva e revolta, mas precisei controlá-los ao máximo, pois meu objetivo era o bem-estar da Poli, e perder a linha naquele momento tão delicado seria bastante prejudicial.

(Cheguei a gravar o início da nossa conversa, mas depois apaguei tudo. Não vale à pena mencionar os detalhes, mas aquele foi um dos maiores desafios da minha vida...)

Após conseguir os documentos dos quais necessitava – e os detalhes por escrito do tratamento até aquele ponto – voltei ao hospital para conversar um pouco e aguardar a hora de recomeçarmos uma nova etapa.

Às sete da noite, lá estava eu no consultório do Dr. Paulo Ivo, com todos os exames em mãos. Começamos a consulta pouco depois das oito. Ele analisou os exames calmamente por um bom tempo. Estudou sobre o tratamento num manual grosso que retirou da estante e disse que não haveria necessidade de maiores exames de biópsia, pois os exames de sangue já indicavam leucemia.

Percebendo a gravidade da situação, ligou para o hospital e solicitou que fizessem uma transfusão de sangue imediatamente para a Poli e disse que ainda estudaria o caso naquela mesma noite.

Na manhã seguinte acordei bem cedinho, e comecei a escrever sobre todo o tratamento, desde nossa chegada ao Rio. Meu7

intuito era manter um registro de tudo o que havia acontecido, na intenção de facilitar nossa busca por justiça, caso decidíssemos processar o médico anterior num futuro próximo.

Escrevi umas seis páginas, e quanto mais eu escrevia, mais aumentava minha raiva, devido ao descaso com que tínhamos sido tratados até então.

Era quinta-feira. Liguei para um colega que havia conhecido no domingo anterior, um senhor muito simpático de oitenta e nove anos, e conversamos longamente. Chorei bastante, e desabafei com ele o que estava sentindo. Ele me disse algumas palavras de consolo, me deu bons conselhos, e me ajudou a me acalmar.

Após o telefonema, conversei com a Martha, que sugeriu deixarmos o assunto para outra fase de nossa vida, e nos concentrarmos na recuperação da Poli. Aceitei a sugestão e rasguei tudo o que havia escrito. Fez-me muito bem.

(Como são úteis os conselhos dados com clareza num momento de ansiedade ou confusão. Em nossos desafios mais difíceis, sempre pude contar com o apoio da Martha. Com seu ouvido atento e sua paciência, ela sabe fazer as coisas voltarem ao equilíbrio.)

Lá pelas oito da manhã, o Dr. Paulo Ivo chegou, em companhia do anestesista (Dr. Humberto), para fazer o exame de mielograma - que consiste na retirada de um líquido da coluna, sob anestesia geral. O objetivo é classificar o tipo de leucemia, a fim de iniciarmos o tratamento. Eles foram bem atenciosos, e fizeram jus ao lema do Dr. Ivo: “Criança comigo não sente dor.”

Após o exame, entraram em contato a direção do hospital solicitando a transferência da Poli para o Prontobaby - um hospital dedicado exclusivamente ao atendimento pediátrico - onde sua equipe teria melhores condições de atendê-la.

Ao entardecer, despedimo-nos da equipe de enfermagem, do pessoal da administração, dos outros pacientes, e entramos de novo na ambulância.

A cada transferência, renovavam-se nossas esperanças...


VOCÊ SABIA?

A Medula Óssea é o tutano dos nossos ossos: um tecido esponjoso, presente na maioria do interior dos nossos ossos chatos.

Ela é responsável pela produção do nosso sangue.

Para saber mais, visite

inca.gov.br


Está gostando da história? Compartilhe com um amigo, e deixe seus comentários: