simplesmente poliana - capítulo 23
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

nossos dias em barra mansa

Ao chegarmos à Casa de Saúde Santa Maria, fomos muito bem atendidos. Tivemos a grata satisfação de encontrar o médico que havia cuidado dos nossos outros três filhos quando eram bem pequenos, o Dr. Hamilton. Ele era um dos sócios do hospital, e os outros profissionais também eram de ótima qualidade.

Após acomodarem a Poliana no quarto de isolamento (todo rodeado de vidro), nos orientaram sobre os procedimentos e demonstraram que a tratariam com todo o carinho e atenção. Desde aquele momento sentimos que estávamos em boas mãos, e eles mantiveram o mesmo grau de atendimento durante todo o tempo que estivemos lá.

Embora as instalações e a equipe fossem excelentes, havia algumas restrições para nós se tornaram novos desafios: a Poli não poderia escovar os dentes, tomar banho ou ir ao banheiro. Além disso, sua comida viria triturada, como papinha de neném.

A nova situação a deixou assustada, mas ficamos ali juntinhos, prontos para apoiá-la em seus momentos mais difíceis.

Como nos trouxeram um mini aparelho de DVD, comprei alguns filmes e desenhos animados para entretê-la naqueles longos dias em que ela não via sequer a luz do sol.

Assistimos algumas vezes ao desenho 'Feliz Aniversário, Charlie Brown', e lemos juntos alguns gibis. Mas o que mais nos aproximou como pai e filha foi vermos o filme? Mary e Max? por duas vezes. O filme relata a correspondência entre uma menininha australiana e um homem americano, e revela a pequenez, a grandeza e muitos medos da alma humana.

No fim do filme, a menina percebe - já adulta - o quanto sua influência contribuiu para a felicidade daquele estranho que se tornou um amigo.

Nesse hospital, a Poli fez uma biópsia de um dos nódulos do pescoço. Ainda me lembro de quando o Dr. Tito (um senhor idoso, bem simpático) entrou no quarto conversando sobre os times de futebol do Rio, e examinou a Poli.

Ele disse: "Você está com várias bolinhas no pescoço. Dá uma pra mim?"

A Poli sabia que não tinha escolha. Ela mencionou alguns dias depois que a ela só restava obedecer, pois se quisesse ou não fariam todos os exames do mesmo jeito!?

(Quando se ama alguém de todo o coração, como é duro ver essa pessoa sofrer...)

No dia em que fizeram a biópsia, eu havia retornado a Angra dos Reis para buscar o resultado dos exames. Era uma segunda-feira, e estava voltando do trabalho quando a Martha telefonou, informando-me de que naquela mesma noite seríamos transferidos para a capital, pois a Poli estava com uma doença chamada linfoma, e o tratamento mais adequado só poderia ser feito no Rio.

Anotei a palavra na agenda, para pesquisar na Internet. Como não queria assustar ninguém, escrevi ao contrário:

A-M-O-F-N-I-L.

Ao descobrir que era um tipo de câncer que se manifesta no sangue, percebi que precisávamos tratar o assunto com naturalidade. (Como mencionei, um dos médicos havia preferido nem sequer mencionar a palavra ‘leucemia’ na minha frente!)

Conversando com minha irmã a respeito, ela mencionou várias doenças que já haviam sido tratadas de forma preconceituosa ao longo da História, como a lepra na antiguidade (hanseníase, hoje em dia), tuberculose no século XVIII, etc.

Se por um lado queríamos obter mais informações seguras sobre a doença? sem nos furtarmos a encarar a realidade? por outro decidimos evitar especulações. Assim, combinamos em família que quando as pessoas nos perguntassem sobre o assunto, diríamos que era uma ‘doença do sangue’, e que os médicos estavam pesquisando os detalhes...

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Nota:

A cada vez que íamos a Barra Mansa, nossos familiares cediam-nos um espaço aconchegante em suas casas. Giseli, Marcelo, Márcia, Sérgio, Marilza, Marília, Calixto... Foram tantas as manifestações de apoio e solidariedade, que sempre faltam nomes para completar a lista. A todos os que nos ajudaram, mas cujos nomes não figuram neste livro, externo nossos agradecimentos. Seus atos de bondade ficarão para sempre gravados em nosso coração.


VOCÊ SABIA?

O Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer – GRAAC – é uma instituição sem fins lucrativos, criada para garantir a crianças e adolescentes com câncer o direito de alcançar todas as chances de cura com qualidade de vida, dentro do mais avançado padrão científico.

Informe-se no site

graac.com.br


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