simplesmente poliana - capítulo 11
uma história de fé, amor e esperança

Bem-vindo ao Simplesmente Poliana. Você vai conhecer uma menina que em apenas 9 anos de vida semeou alegrias e deixou muita história pra contar. ;-)

LEITORA DE CARTEIRINHA

A Poliana teve o privilégio de ser criada numa família que ama a leitura. Desde seus primeiros anos, esteve às voltas com os clássicos da literatura infantil, e gravou até alguns deles, em companhia dos irmãos.

Ela cresceu vendo os irmãos lendo. Rodeada de livros, desenvolveu um amor natural pelas ‘historinhas’. Certa vez, ela pegou o livro do Pinóquio, me pediu que ligasse um gravador, e anunciou:

“Olha, eu vou ler uma história muito boa, que todos vocês vão querer saber. É uma história muuuito boa. E todos vocês gostam. E também vão gostar muito quando eu acabar de ler. E essa história é... Pinóquio, Pinóquio, Pinóquio, Pinóquio!

Está bem. A história é curta.

(Suspiro) Aaaii...

Olha pessoal, eu vou ler outra, tá bom? Vou ler outra por causa que essa daqui é muito ruim mesmo, tá bom?

Eu vou ler outra história muito boa. Vocês todos gostam... e essa história é... O Patinho Feio. Todos vocês gostam, não é?

Agora, vocês tem que ficar bem quietinhos pra mim ler.

Era verão. A fazenda estava liiinda! Uma pata fez seu ninho...”

E nos próximos minutos ela gravou toda a historinha, que ouvimos de vez em quando para nos lembrar dessa leitora de menos de cinco anos de idade!

Numa outra ocasião, pegou o celular e por livre iniciativa gravou o livro inteirinho do Pinóquio! Foram dez minutos de leitura, decifrando palavras que ela nunca havia visto ou ouvido.

Essa gravação para nós é uma verdadeira relíquia!

TODA MAFALDA

Aos oito anos, os caminhos da Poli se cruzaram com os de uma personagem de quadrinhos que viria a fazer parte do seu mundo dali em diante: Mafalda, uma garota argentina de sete anos criada pelo cartunista Quino na década de 70.

A irmã mais velha trouxe da escola um exemplar de mais de quatrocentas páginas, intitulado ‘Toda Mafalda’. Nos dias que se seguiram, o livro tornou-se a bíblia da Poliana. Aonde quer que fosse, carregava aquele baita livrão. Interagia com os personagens, partilhando conosco as aventuras e perguntando nossa opinião a respeito.

Mesmo sem entender algumas tirinhas – de cunho político – ela seguiu adiante, até virar a última página. Comemoramos juntos! 

Como a maioria das meninas, Mafalda adora brincar, dançar e conversar com os amigos. Mas detesta tomar sopa, o racismo e se preocupa com a política do país e do mundo.

Através dela, conhecemos Manolito, de seis anos, que vive buscando maneiras de aumentar os lucros na mercearia do pai.

Nos divertimos com Susanita – também de seis anos – que almeja se casar e ter uma numerosa família, além de estar sempre antenada sobre as últimas fofocas da turma.

Com a leitura, a Poli se tornou a fiel defensora do Guille, o caçula da turma. Na idade das descobertas, sua paixão são os rabiscos na parede e a inseparável chupeta.

Depois de alguns meses, ela foi à biblioteca e pegou o livro por conta própria... Estava com saudades dos novos amiguinhos!

HERÓIS ANÔNIMOS1

Quando escrevi o livro ‘Heróis Anônimos’, a leitora mirim marcou presença. Leu as quinze crônicas, e passou a divulgar o livro na sala de aula. Uma amiguinha o pediu emprestado, mas depois trocou de escola e nunca mais o devolveu.

A Poli me contou o caso, como que pedindo desculpas pelo sumiço do livro. Disse-lhe que aquilo era até bom, pois as histórias poderiam ser lidas por mais pessoas.

Presenteei-lhe com um novo exemplar e, ao perceber que nosso relacionamento era mais importante que um simples livro, ficou toda satisfeita.

Num mundo onde a posse costuma ter mais valor do que as relações entre as pessoas, este foi um aprendizado muito significativo...


Diário de Poliana, 24 de Abril de 2008.

Hoje foi um dia muito legal porque lá na escola tem uma praia na frente dela.

Aí a gente fica olhando ela quando é o recreio.

Mas tem um moço que fica lá sentado em uma cadeira e ele já brigou comigo porque ele briga com as pessoas que saem da escola pra ver a praia.


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