Nosso Lema

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

Durante o tratamento, a Poli utilizou suas próprias técnicas para aprender a esperar...

Os exames de ressonância magnética em especial – que foram realizados em três ocasiões diferentes – deixaram nossos nervos à flor da pele. Em princípio, por não conhecermos os procedimentos; depois, pelo desconforto dos ruídos.

Acompanhei o primeiro exame bem de perto. Nossa guerreira fechou os olhos, segurou a bombinha de comunicação e manteve-se calma enquanto a máquina fazia todos aqueles barulhos ensurdecedores.

Ao final do exame, perguntei-lhe como conseguira manter a calma durante tanto tempo. Com toda a simplicidade que lhe era característica, ela respondeu:

- Eu fiquei contando...

- E até quanto você chegou?

- Até quatro mil e quatrocentos.

A cada dia no hospital, aprendíamos valiosas e inesquecíveis lições. Me lembro de um dia em que, já exausta de tanto realizar exames de sangue, ela sentou-se na cama, fechou os olhos, e disse:

- Mãe, eu preciso ter fé e paciência. Fé e paciência.

Enquanto observávamos a persistência da Poli no tratamento, percebemos que a mesma receita se aplicava a nós também: fé e paciência... Suas palavras ainda hoje ecoam como nosso lema familiar.

Durante o tempo das internações, escolhemos também um versículo 21 da seção 123 de Doutrina e Convênios para nos fortalecer:


Portanto, amados irmãos, façamos alegremente todas as coisas que estiverem ao nosso alcance; e depois aguardemos, com extrema segurança, para ver a salvação de Deus e a revelação de seu braço.

E assim continuávamos, dia após dia, fazendo de boa vontade tudo o que estava ao nosso alcance, e aguardando com fé e paciência o alívio daquela situação tão adversa...

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