Mil Maneiras de Se Expressar

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

Minha esposa comentou que em nossa cultura a maneira como homenageamos nossos mortos costuma ser uma tarefa bastante árdua.

Concordando com ela, me lembrei de algo que fizemos para amenizar a dor dos que vieram prestar uma última homenagem à nossa filha...

Quando estávamos saindo de casa para o funeral em Angra dos Reis, vi sobre a penteadeira a foto com a qual ela me havia presenteado no dia dos pais. Peguei o porta-retratos e o levei comigo. Na capela, coloquei a foto junto ao púlpito, para que as pessoas observassem a imagem da Poliana em vida, sorrindo.

Tanto em Angra dos Reis quanto em Volta Redonda, o efeito foi o mesmo: após passarem junto ao corpo, as pessoas ficavam olhando atentamente para a foto, e em seguida dirigiam-se para seus lugares para refletir sobre a vida.

Acredito que isso tenha contribuído para o sentimento de paz, quietude e contemplação que os presentes sentiram nas duas cerimônias.

Nos dias que se seguiram, diversos amigos mencionaram que nunca haviam participado de uma cerimônia na qual reinasse tanta paz. Uma de minhas cunhadas afirmou: “Você me desculpe, Charlles, mas tenho que dizer que o funeral estava até bonito, de tanta paz que a gente sentia ali...”

Alguns afirmaram que “não havia a possibilidade de alguém entrar e sair daquele ambiente sem se tornar uma pessoa melhor.”

Existem tantos tipos diferentes de manifestar carinho, amizade, compreensão e empatia quanto existem pessoas.

Algumas acompanharam todo o processo pelo qual passamos, outros preferiam deixar-nos mais ‘à vontade’, e deram também seus preciosos telefonemas.

Alguns amigos foram infelizes em seus comentários. Outros demonstraram partilhar nossa dor como se fizéssemos parte da mesma família. Em momentos de crise, há pessoas que focam no lado material, e outras que direcionam seus esforços para atender necessidades básicas e compreender as limitações do momento.

Algumas chegam para apoiar no que for preciso e outras – acredite se quiser – que só aparecem para cobrar!

Em meio ao mar de abraços que recebemos, das palavras de consolo que ouvimos, das inúmeras manifestações de afeto, para mim o que ficou mais evidente foi a necessidade de respeitar as pessoas como são, com suas limitações e diferentes níveis de sensibilidade.

No fundo, cada um expressa como pode seu amor, carinho e preocupação...

Ou de acordo com sua ordem de prioridades!


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