Leitora de Carteirinha

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

A Poliana teve o privilégio de ser criada numa família que ama a leitura. Desde seus primeiros anos, esteve às voltas com os clássicos da literatura infantil, e gravou até alguns deles, em companhia dos irmãos.

Quando ainda estava aprendendo a ler, pegou certa vez o celular e por livre iniciativa, gravou o livro inteirinho do Pinóquio! Foram dez minutos de leitura, decifrando palavras que ela nunca havia visto ou ouvido.

Conservamos essa gravação, que para nós é uma verdadeira relíquia!

TODA MAFALDA

Simplesmente Poliana - Mafalda
Aos oito anos, os caminhos da Poli cruzaram com os de uma personagem de quadrinhos que viria a fazer parte do seu mundo dali em diante: Mafalda, uma garota argentina de sete anos criada pelo cartunista Quino na década de 70.

Na biblioteca da escola, a Poli encontrou um exemplar de mais de quatrocentas páginas, intitulado ‘Toda Mafalda’.

Nos dias que se seguiram, o livro tornou-se a bíblia dela. Onde quer que fosse, carregava aquele baita livrão. Interagia com os personagens, partilhando conosco as aventuras e perguntando nossa opinião a respeito.

Mesmo sem entender algumas tirinhas – de cunho político – ela seguiu adiante, até comemorarmos a leitura da última página!

Como a maioria das meninas, Mafalda adora brincar, dançar e conversar com os amigos. Mas detesta tomar sopa, o racismo e se preocupa com a política do país e do mundo.

Simplesmente Poliana - Manolito
Através dela, conhecemos Manolito, de seis anos, que vive buscando maneiras de aumentar os lucros na mercearia do pai.

Simplesmente Poliana - Susanita
Nos divertimos com Susanita, também de seis anos, que almeja se casar e ter uma numerosa família, além de estar sempre antenada sobre as últimas fofocas da turma.

Simplesmente Poliana - Guille
Com a leitura, a Poli se tornou a fiel defensora do Guille, o caçula da turma. Na idade das descobertas, sua paixão são os rabiscos na parede e a inseparável chupeta.

Depois de alguns meses, ela pegou novamente o livro... Estava com saudades dos novos amiguinhos!

HERÓIS ANÔNIMOS

Quando escrevi o livro ‘Heróis Anônimos’, a leitora mirim estava lá. Leu as quinze crônicas, e passou a divulgar o livro na sala de aula. Uma amiguinha o pediu emprestado, mas depois trocou de escola e nunca mais o devolveu.

A Poli me contou o caso, consternada, como que pedindo desculpas pelo sumiço do livro. Disse-lhe que aquilo era até bom, pois as histórias poderiam ser lidas por mais pessoas.

Presentei-lhe com um novo exemplar e, ao perceber que nosso relacionamento era mais importante que um simples livro, ficou toda satisfeita.

Num mundo onde a posse costuma ter mais valor do que as relações entre as pessoas, este foi um aprendizado muito significativo...

Diário de Poliana, 17.10.2008:

"Hoje foi um dia bem legal porque hoje foi 6ª feira e depois de 6ª é Sabadão!!!!!...!...!.

Eu vou botar fim porque estou sem idéia.

Fim."


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