Fisioterapia

by Charlles Nunes
(Angra dos Reis, RJ, Brasil)

Após onze dias no hospital, voltamos para casa, felizes da vida!

Por desconhecermos a real gravidade da doença, acreditávamos que a situação estava sob controle e só tenderia a melhorar.

As crianças fizeram um cartaz de boas-vindas e o colaram na parede da sala. (E ali ele ficou por um bom tempo, como um sinal de que deveríamos valorizar mais nossos momentos em família...)

No fim de semana, a situação da Poliana começou a se agravar. Havia sido marcada uma consulta de revisão para a quarta-feira seguinte, mas resolvemos levá-la a uma clínica de hematologia em Barra Mansa, onde uma sobrinha nossa conhecia um especialista de confiança.

O hematologista a atendeu, prescreveu alguns exames adicionais, e a encaminhou à neuropediatra. Fizemos todos os exames - a Poli e a Martha ficaram em Barra Mansa por alguns dias - e a doença foi diagnosticada como miopatia .

Por fim, retornamos para casa, aliviados e esperançosos. Desta vez, a Poli voltou sentindo-se bem melhor!

Iniciamos então um período de fisioterapia. Assim, tive o privilégio de reencontrar uma amiga de longa data...

Nos idos de 90, eu havia trabalhado como professor de inglês numa escola de ensino fundamental em Volta Redonda-RJ. Lá, costumava conversar com os alunos sobre as experiências que os aguardavam na vida: casamento, profissão, maternidade, paternidade, etc.

Certa vez conversei com uma turma do sétimo ano sobre as profissões que exerceriam no futuro. Comentei com eles que algum dia eu teria o privilégio de entregar um de meus filhos aos cuidados deles.

Ao contratarmos a Silvia como fisioterapeuta, aquela visão se tornou realidade: durante as dez sessões do tratamento, as duas se tornaram verdadeiras amigas. A Poli comentava sobre a ‘Tia Silvia’ como se fosse alguém da família.

Antes da última sessão, ela ainda comentou sobre a saudade que iria sentir quando terminasse o tratamento. Como eu estava trabalhando durante as sessões, participei apenas de uma delas – e aproveitei para fotografar as duas em atividade.

As sessões eram tão animadas que os meninos também aproveitavam para entrar na dança!

Dentro de poucos dias, nossa pequena já estava radiante para voltar às aulas. Suas amigas da escola fizeram a maior festa. Retornou também para o convívio dos amigos na igreja, e todos comemoramos seu retorno. Sob o efeito dos remédios, sua saúde ia melhorando a cada dia...

Foi um período repleto de atividades para nossa família. Fomos à praia e cachoeira, a festas de aniversário, jogamos jogos de tabuleiro, e ela aprendeu a andar de bicicleta. Visitamos parentes e amigos. Em uma de nossas últimas idas à praia aproveitamos para tirar muitas fotos...

Que são hoje um tesouro de família!


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