Carta a Um Missionário
no Dia das Mães

8/5/2016 | Por Charlles Nunes | Deixe seu comentário =D

Quem tem filho na Missão, liga duas vezes por ano: no Dia das Mães e no Natal... E fica rindo à toa! =D

Para baixar o vídeo, clique aqui.

Querido Élder, Querida Sister:

Hoje é Dia das Mães...

E você provavelmente ligou pra casa.

Eu tive uma oportunidade única na vida:

Conversei com meu -filho e minha- filha na missão...

E me lembrei que há muitos anos

Quando não havia internet

Eu também estava no campo

E conversei com minha mãe por telefone!


Muitas emoções afloram nesse dia

E pode ser que - você fique -  um pouco 'trunk'...

Isso tudo é normal...

Mas eu quero que você saiba

Que ver você servindo não tem preço.

Que seu empenho e dedicação

Renovam nossas forças.


Por favor, continue em frente,

E viva um dia de cada vez.

Saiba que os milagres

Muitas vezes são imperceptíveis.

Até que os anos passem...

E você, algum dia relendo seu diário

Ou do lado de cá da ligação,

Perceba, como eu fiz hoje,

Que pessoas 'comuns' fazem coisas...

Extraordinárias!

Vai influenciar gerações inteiras...

E pode acreditar:

Cada segundo vale à pena.


Em nome de todos os pais de missionários,

Repito as palavras que já dissemos hoje:

Nós te amamos.

Continue trabalhando,

E dando o seu melhor...

A gente se vê de novo no Natal!

Gravamos esse vídeo em homenagem a todas as Mães de Missionários SUD.

Espero que sirva de inspiração pra você também!

Para ganhar agora mesmo um ebook GRATUITO que escrevi para nossa filha Poliana, e outro - quando estiver disponível - que escrevi pra nossa filha Sister Nunes, coloque seu e-mail abaixo:

Capítulo I: Pregar o evangelho é uma bênção e privilégio.


Sei que as experiências da missão me ajudam a valorizar a família que terei para amar, um dia.

-- Élder Nunes (Recife-PE, 19.07.91)

Diversas vezes na missão, e dezenas de vezes nos anos seguintes, ouvi missionários mencionando alguma versão da frase ‘dar dois anos da minha vida...’

Fico pensando... Essa frase soa como se a pessoa estivesse fazendo uma doação de seu tempo para o trabalho do Senhor, como se esse fosse um ato de grande altruísmo em favor da raça humana.

Reconheço que geralmente um missionário necessita se abnegar de sua rotina para começar um novo ciclo, uma nova etapa. Porém, sempre considerei esse um grande privilégio.

Já pensou? Um pecador como eu ser chamado para representar o Salvador e Sua Igreja? 

Que oportunidade ímpar de estudar o evangelho, de me relacionar com pessoas de bem, de conhecer famílias de todas as formas e crenças.

Enquanto lia meus diários antigos em preparação para escrever, algumas palavras foram mais frequentes do que outras. Dentre elas: Jesus Cristo, amor e oportunidade.

Então, aproveite seu tempo para servir ao Senhor de todo o coração.

A melhor maneira de fazer isso é esquecer-se de si mesma e servir ao próximo, começando pela sua própria companheira.

Aproveite, além de servir numa missão ser um baita privilégio...

É uma das maiores oportunidades que você terá na vida!

Capítulo II: Qualquer Pessoa Pode Mudar...


No final, o que vale é o quanto você amou. -- Élder Nunes (Catende-PE, 22.02.91)


Mesmo quem mora em casa própria! =D =D

Certa vez visitamos um rapaz que se mostrou bastante interessado em saber mais sobre o evangelho de Jesus Cristo. Sua sinceridade era tocante, e marcamos nossa segunda visita para o dia seguinte.

Quando chegamos à sua casa, o encontramos estirado no chão da sala, bêbado, sem a menor condição de nos atender. Demos meia-volta, e no próximo dia, lá estava ele, com um sorriso no rosto a nos receber!

Ficou claro pra nós que o meio em que a pessoas vivem favorecem um comportamento específico.

Quando se muda o estímulo, essas mesmas pessoas podem elevar sua qualidade de vida.

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Para ler o artigo Como Escrever Um Livro, clique aqui.

Cada Livro Tem Sua Própria História...

Conforme mencionei no artigo Como Escrever Um Livro, escrevo sempre com algum objetivo em vista. Com Querida Sister Nunes, segui o mesmo método...

Em janeiro desse ano minha filha me fez uma pergunta daquelas que deixa a gente pensativo:

"Pai, o que você aprendeu na missão?"

Fiquei pensando por algumas horas, e tive o desejo de revirar meus diários antigos de missão.

Naquele dia, nasceu a IDEIA de escrever um livro pra Ana Paula. Um livro resumindo algumas experiências da missão, e o que aprendi com elas.

Mas essa ideia teve que ser trabalhada até ficar pronta para a impressão...

Tentativa #1: Identificar as Lições Aprendidas

Enquanto folheava os diários, fui anotando o que me vinha à cabeça: nesse dia, aprendi isso; naquele dia, aprendi aquilo. E assim por diante.

Quando já havia escrito 5.000 palavras, me empolguei e tive outra ideia: reescrever todos os diários, palavra por palavra.

Parti logo para a ação.

No terceiro dia do feriado de Carnaval, quando já havia transcrito 10 mil palavras, percebi que a empreitada era grande demais. Daria umas 60 mil!

Então, abandonei o projeto.

Tentativa #2: Criar Um Livro de Crônicas

Depois que percebi que a tarefa de transcrever cerca de 60 mil palavras não seria uma boa ideia pra essa altura da minha vida.

Resolvi partir para o formato de crônicas, com uma leve pitada de humor. A primeira saiu assim:

1. VITAMINA

O barulho do liquidificador desperta a casa inteira.

Só mais um minuto. O que está girando lá dentro muito me interessa: vitamina de banana. As pedras de gelo se espatifam na hélice fazendo o leite soltar fumacinha. Em instantes, grandes goladas farão um missionário feliz.

Pronto. Recipiente transbordando, volto à mesa de estudo. Encho o copo, deixo o restante ao alcance da mão. A Bíblia aberta parece observar o pecado da gula em primeira mão. Tudo bem: Hoje estou lendo sobre a cura do cego mesmo...

Sempre me intriga essa história. Sem desmerecer o milagre, imagino Jesus cuspindo no chão, fazendo aquela gosma milagrosa e untando os olhos do cego. (Se a fórmula cai em mãos erradas, imagine a tal ‘milagrosma’ infestando a Internet: ‘Visão garantida ou seu dinheiro de volta!’

Mas o que me mais encanta é o fato de Jesus ter parado para ajudar quem tanto precisava dele. Sem culpar o homem ou seus pais pela cegueira, entrou logo em ação... E foi aquele reboliço!

Pensativo, encho o segundo copo.

Enquanto acompanho o Mestre pelas estradas poeirentas da Palestina, minha barriga anuncia: “Game over.” Típico erro de cálculo: mais olho do que estômago.

Olho para o liquidificador e nele vejo minha mãe. Mãos na cintura, repetindo pela enésima vez: “Tem vergonha não? Muita gente queria ter esse resto que você tá deixando...” E a conclusão, sempre solene: “Todo alimento tem que passar por algum organismo vivo.”

Minha mãe tinha faro de formiga. Detectava travessuras de longe. Quando ficou viúva, passou a contar com o apoio de um fio de luz que botava a gente no eixo.

Resto de pão pra passarinho. Resto de comida pro cachorro. Ou chicote no lombo de quem desobedecesse. Com a Dona Cacilda, não tinha meia conversa. Enquanto um de nós apanhava, o outro vestia calça sobre calça, pra aliviar a ardência.

De tanto ouvir aquela bendita frase, eu imaginava a comida toda satisfeita, fazendo um tour pelo estômago e seguindo radiante para os intestinos. Sempre em busca da luz no fim do túnel!

Mesmo pronunciadas a quilômetros de distância, as palavras vinham ricochetear nos azulejos da cozinha. (Como vingança, passei adiante o legado: bastam as palavras ‘todo alimento...’ que meus filhos concluem a frase!)

Encarando o copo do liquidificador pela metade, pensei nas alternativas: Jogar aquilo tudo na pia, e mentir pra mãe no retorno pra casa? Nem pensar... Mãe tem sexto sentido. Começo então a procurar um ‘organismo vivo’ disposto a detonar a gororoba.

Chamo um companheiro, que está em outro cômodo. “Tô cheio.” Outro, ‘cheio’ também. Depois da terceira tentativa, penso: “Lascou. Como me livrar da prova do crime?” Estou mais perdido do que visitante que entope o vaso!

Enquanto bolo um plano C, ouço pela primeira vez um som atrás da cabeça: “esfrega-esfrega-esfrega”. Dona Zefinha está desde cedo lavando nossas roupas no tanque.

Na casa dos cinquenta e, viúva como minha mãe, ela inteira o orçamento trabalhando fora. Suas batatinhas em forma de pequenos cubos fazem o maior sucesso. E como fica feliz em nos servir! Nós a chamamos carinhosamente de ‘tia’.

Ofereço-lhe um copo duplo. Ela vira numa golada só. Repito a dose. Ela manda ver, e no final acrescenta sorridente: “Lavar roupa dá uma fome, né?!”

Só então percebo que aquele ‘organismo vivo’ é um ser humano como eu, com emoções e necessidades.  Enquanto lia sobre os milagres de Jesus e me imaginava um ‘instrumento nas mãos de Deus’, ‘representante oficial da Igreja’ ou algo que o valha, nem me dei conta que alguém estava suando em bicas pra me servir. E pelo andar da carruagem, ainda em jejum.

Continuamos a conversa... Ela me conta que comprou um cordão folheado e que ficou sem dinheiro pra comprar o gás. Eu comento que estou com vergonha do meu corte de cabelo feito por um outro missionário. Rimos juntos das nossas mazelas.

Me ofereço pra lavar seu copo. Ela aceita, embaraçada. Aproveito pra lavar o copo do liquidificador também.

“-- Dona Cacilda já pode guardar o fio de luz!”

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Meus amigos gostaram. Fiz mais duas, e partilhei com eles.

Só então, a ficha caiu:

Eu não estava escrevendo para a Sister Nunes. Estava escrevendo para os meus amigos! =D

Então, voltei ao projeto inicial, e comecei a formatar o livro... ;-)

Tentativa #3: Concluir o Livro e Formatar para Impressão

Voltei ao projeto de escrever as lições aprendidas:

Incluí as três crônicas que havia terminado e mais duas histórias familiares (como minha mãe conheceu o Livro de Mórmon e a história que ela contou sobre meu nascimento).

Fiz uma capa, a contracapa, as duas orelhas, e enviei para a editora.

Quando a Ana Paula viu o protótipo, perguntou: "Pai, dá tempo de colocar alguma foto na capa?"

E capa anterior havia ficado assim:

A ficha caiu de novo.

O livro não é sobre mim, é sobre ela! Então, refiz a capa, escolhi as fotos para as orelhas, e finalmente, o projeto foi concluído.

Estou contando tudo isso pra você ver que o PROCESSO de escrita é dinâmico, e as ideias vão tomando forma no decorrer da caminhada.

Você pode começar com uma ideia bem simples, e ao interagir com pessoas e com outras perspectivas, o projeto vai melhorando...

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